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O EMPIRISMO DE DAVID HUME E A ABORDAGEM QUE REALIZA A RESPEITO DA SUBJETIVIDADE HUMANA.


 

LEPH - Revista Me Conta Essa História Mar. 2020 Ano I Nº 003 ISSN - 2675-3340 UFJ.

 

Por Eduardo Rodrigues Santana

 

RESUMO


O trabalho é uma tentativa de compreender a abordagem a respeito da subjetividade humana no pensamento filosófico de David Hume, uma vez que as ideais abstratas em sua filosofia são representadas pelo homem em sua capacidade de separação e distinção dos objetos e o sujeito tem a possibilidade de realizar uma distinção de poderes causados no pensamento e na imaginação. Em contrapartida, a capacidade do sujeito de determinar a diferença das ideias se dá na sua distinção das mesmas. O resultado do estudo e a análise do problema serão desenvolvidos em quatro partes: num primeiro momento será apresentado o contexto histórico que procura enfatizar o surgimento do empirismo, momento este que é ressaltado na história da filosofia pela sede do conhecer; num segundo momento, será apresentado uma síntese das principais características do Empirismo, do qual Hume foi um dos grandes representantes; no terceiro e último momento, aparecerá o tema central do trabalho que é a abordagem que Hume realiza a respeito da subjetividade humana.

Palavras-chave: Empirismo. Hume. Subjetividade. Ser humano. Conhecimento.

 

INTRODUÇÃO


Se discutirá neste trabalho a capacidade cognitiva do sujeito empírico fundamentado pelas paixões, uma proposta do pensamento cético do filósofo David Hume (1711 – 1776), que inseriu um novo pensamento na história sobre a constituição do sujeito na experiência, mostrando um nova dimensão da subjetividade humana, não como um ser predominantemente hierárquico que raciocina de maneira absurda e exagerada sobre as coisas, mesmo que suas ideias não possuam coerência e nem relação com os objetos que elas apresentam, pois a razão nessa dimensão é ordenada pela experiência na psicologia associacionista.


A investigação dos princípios da Natureza Humana nos esclarece um sistema seguro e completo, fixado nas duas dimensões subjetivas de crer e inventar num plano puramente empírico. A epistemologia acerca do entendimento humano se encontra fundamentada nas relações subjetivas que o sujeito estabelece por meio da relação nas impressões e ideias, determinando um sujeito que está inserido no processo de causalidade.


A filosofia empírica da observação e da prática aponta-se diretamente para uma análise dos efeitos, na medida em que são fatos determinados puramente no âmbito da imanência, pois a causa primeira ou eficiente não nos é percebida, visto que elas não afetam a dinâmica humana.


A razão é submissa à experiência na medida em que se é capaz de atribuí-la a princípios gerais duvidosos e inseguros, pois a proposta racionalista, que se julga provida de uma esplêndida satisfação e gozo metafísico, entedia e angustia o homem, obrigando-o e dando-o o direito e o dever de exigir maiores expectativas da Filosofia.


O entendimento humano se encontra inserido e organizado pela associação na experiência imanente, e o sujeito é revelado como um dado que se transforma e se ultrapassa quando investigado em seu campo habitual e cotidiano. Suas práticas estão centradas na sensibilidade das relações que ocorrem na imanência, permitindo que a epistemologia acerca do entendimento humano se justifique no sujeito empírico com uma capacidade cognitiva submetida à autoridade da experiência e dos afetos na associação.


Desse modo justificaremos dois traços fundamentais: o primeiro consiste numa averiguação sobre a ciência do homem como a ciência de uma natureza humana, como se dá o processo de gestação da subjetividade, pois o sujeito é concebido como especial em sua capacidade de crença e invenção, realizando ações racionais que podem auxiliá-lo na medida em que forem justificadas pelas afecções na experiência, e consequentemente, a razão passa a ser considerada como um fator submisso aos seus sentidos, e pensar somente se torna válido para o sujeito na medida em que a razão for confirmada pela percepção do sujeito. E o segundo traço refere-se à toda a consistência e fundamentação empírica analisada no mesmo âmbito em que tratamos da subjetividade. O motivo que nos impulsiona a realizar essa investigação se dá na revelação feita por Hume, de um sujeito que possui uma dimensão empírica determinada pelas percepções que o afeta, ordenando a sua capacidade cognitiva, e sua determinação como algo incompreensível e mutável, que se desenvolve e transforma-se por uma mediação, uma transcendência impulsionada pela atividade de crença e invenção.


1- O surgimento do Empirismo


Com a evolução das descobertas científicas, no século 17, o ponto de partida da reflexão filosófica não é mais o problema do ser, mas o do conhecer.


Segundo Geovanni Reale[1] aparecem dois grandes grupos de filósofos que discutem o problema da verdade e o seu conhecimento; um primeiro grupo, no continente, formado por Descartes (França), Spinoza (Holanda) e Leibniz (Alemanha) segue o modelo das ciências exatas (matemáticas e geometria) e desenvolve uma concepção racionalista do conhecimento e da realidade; outro grupo, nas Ilhas Britânicas, onde florescem as ciências experimentais (botânica, química, astronomia, mecânica etc.) tem sua preocupação voltada para a pesquisa de uma teoria do conhecimento e de um método de investigação que correspondesse às necessidades das ciências experimentais.


Essas ciências nascem de experiências de certos fatos concretos, e não de ideias abstratas e princípios universais válidos pela evidência. Torna-se necessário, então, uma base que fundamente tais conhecimentos adquiridos pela experiência.


Nota-se que a finalidade desse modo de investigação segundo Smith[2]

“... é superar os fatos e descobrir as relações constantes e leis estáveis que permitam a antecipação de experiências. Isso se deu para responder o seguinte problema: como é possível, partindo da experiência sensível, chegar às leis universais? Ou dito de outro modo: se os sentidos levam a incertezas com relação ao conhecimento, também as ideias abstratas e leis científicas conservam a mesma incerteza, instabilidade e particularidade do conhecimento sensível, onde está a lógica que justifique a relação causa e efeito?”

Nascia assim, o Empirismo moderno que teve como principais representantes os pensadores: Thomas Hobbes (1588-1679). John Locke (1632-1704) George Berkeley (1685-1753) David Hume (1711-1776).


1.1 Características gerais do Empirismo


Sendo o empirismo a tendência filosófica que considera a experiência como um critério ou padrão de verdade no conhecimento. Ele pode ser caracterizado por dois aspectos fundamentais segundo Reale[3], primeiro, “ ele nega o absolutismo da verdade, ou pelo menos nega que a verdade absoluta acessível ao homem; segundo, reconhece que toda a verdade deve ser testado e, a partir da experiência, pode, eventualmente, ser modificada, alterada ou abandonada.”


Vale lembrar que o empirismo não se opõe de forma alguma à razão, mas nega a pretensão de estabelecer verdades necessárias, isto é, verdades que valem tão absolutas como uma maneira de fazer a verificação desnecessária, absurda ou contraditória de seu controle.


O pensamento empirista pode ser norteado nas seguintes ideias na visão de Botelho, Vecchia[4]:

“... ele nega qualquer tipo de inatismo: todo conhecimento procede da experiência, sendo a evidência sensível o único critério de verdade. Concebe que as ideias inatas são combinações mais ou menos complexas das sensações. Defende que um conhecimento com validade universal é impossível: quando se aceita tais proposições, isso se dá porque é mais fácil, mais cômodo, mais útil. A firma que os termos clássicos da filosofia (substância, causa, essência, ser etc.) são citações sem correlatos com a experiência, não passando de meros nomes (nominalismo). Defende uma ética utilitarista e hedonista, fundada no hábito e nos costumes que criam regras necessárias para tornar possível a convivência social.”

As concepções que estão no centro da doutrina empirista são radicalmente contrapostas às do racionalismo.


2- Abordagem de Hume a respeito da subjetividade humana.


David Hume nasceu em Edimburgo em 1711, e desde jovem se apaixonou pelo estudo dos clássicos e da filosofia. Já em 1729 teve a poderosa intuição de uma nova "ciência da natureza humana", da qual nasceu a ideia básica de sua obra-prima, o “Tratado sobre a natureza humana”, em três volumes publicados em Londres entre 1739 e 1740 (em I748 foi publicado um resumo com o titulo “Ensaios sobre o intelecto humano”, rebatizado por fim em 1758 com “Pesquisas sobre o intelecto humano”). O sucesso literário veio porem com os “Ensaios morais e políticos”, em 1741. De 1763 a 1766 foi secretario do embaixador inglês em Paris, e quando voltou a Londres levou consigo Rousseau, com o qual porém as relações logo se deterioraram. Nos últimos anos retirou-se em Edimburgo, onde se dedicou as novas edições de suas obras e a revisão dos “Diálogos sobre religião natural” (redigidos em 1751 e publicados postumamente em 1779). Morreu em 1776.


Retomando o empirismo de Locke, David Hume defende o pensamento de que a experiência escreve e grava em nosso espírito as ideias, e a razão irá associá-las, combiná-las ou separá-las, formando todos os nossos pensamentos.


Quando se situa em um campo em que o sujeito possui muitas relações, liga-se o mesmo a uma relação mútua em constante associação que ocorre no sujeito que está moldado sob duas características potenciais subjetivas de pensar e de sentir no plano da imanência. Em meio a essa complexidade do processo associacionista que envolve o sujeito tentará expor em linhas gerais como se dá esse processo na visão de David Hume.


Segundo Deleuze[5] “sujeito se desenvolve num movimento constante e indeterminado que gira em torno de si mesmo”, assim, a ideia de subjetividade estaria dentro dessa complexidade, onde o sujeito tem a capacidade de desenvolver-se a si mesmo nessa mediação em que ocorre sua própria ultrapassagem.


A mente humana que é capaz de perceber em dois gêneros distintos chamados no pensamento de Hume segundo Reale[6]de

“...impressões na qual se refere às nossas sensações e emoções possuindo maior força e vivacidade, e as ideias que são as cópias ou imagens das impressões contidas em nosso raciocínio, e por isso são mais fracas que a primeira, pois ambos os gêneros atingem uma distinção em seu grau de força e vivacidade quando interferem em nosso pensamento nos dando a capacidade de perceber claramente a distinção de nosso sentimento e pensamento que estão em um corpo análogo.”

Para Hume, podem-se dar nomes característicos a cada um desses dois gêneros devido à tamanha força de distinção, mas ele também afirma sobre a possibilidade de existir uma aproximação entre esses dois fatores como no sono, na loucura, num delírio ou numa emoção violenta da alma, também pode ocorrer da impossibilidade de obter ideias devido a fraqueza e obscuridade das impressões.


Dentro da composição das impressões e das ideias, existem dois fatores que se dirigem a ambas segundo Reale[7] é “a divisão que existe entre as percepções simples, que são impressões e ideias que não podem ser divididas e por isso são consideradas indivisíveis tanto para o espírito como para si mesma, é o mínimo atingido pela imaginação e a garantia da objetividade do espírito, e as complexas, que podem ser distinguidas em partes, do mesmo modo como a qualidade de uma fruta são as partes que a constituem com fruta.”


Também é importante nesse momento saber que toda e qualquer impressão simples é acompanhada de uma ideia correspondente, e toda ideia simples é acompanhada de uma impressão correspondente, fala-se então de uma conexão entre ideias simples, onde a existência de uma tem influência sobre a outra, dispensando totalmente qualquer objeto pressuposto vindo do acaso, pois o que rege a conexão aqui é uma certa dependência entre impressões simples que sempre antecedem as ideais correspondentes.


Na vidão de Deleuze[8]

“... sempre uma impressão precederá uma ideia da mesma forma que qualquer impressão do corpo ou da mente é seguida por uma ideia semelhante, assim como uma criança para conhecer uma maçã terá que experimentá-la, sendo o experimento que lhe garantirá uma ideia correspondente da maçã. Talvez esse sistema sobre a impossibilidade da tentativa de estabelecer o inativo sobre o nativo poderia auxiliar a humanidade em sua pedagogia, na ciência, na moral, etc... Do mesmo modo que seria inválido eu poder conhecer algo primeiramente pela ideia precedida pela impressão, talvez tantos e tantos sistemas deveriam rever seus conceitos para que não resultem em uma infindável lamentação e espera.”

É claro que para Hume, em um caso bastante específico poderá ocorrer uma precedência da ideia à impressão, mas isso não afeta diretamente a máxima geral de que a ideia sempre será semelhante a uma impressão e sempre ocorrerá após a ela.


Para Hume é bastante significativa a ideia de que o sujeito se relaciona mutuamente, visto que ele experimenta, reflete e se reflete, se ultrapassando e se constituindo no dado, tendo claramente a convicção de que ele experimenta as paixões e emoções em si mesmo, pois sua sensibilidade o permite conhecer experimentar esse saber num plano puramente imanente que não é inato.


Ë plausível pensar em sintonia com o pensamento de Smith[9] que

“...esse pensamento cético pode contribuir muito com a era da modernidade, pois com essa ascendência ideológica em que vivemos, onde a religião ganha cada vez mais força pelo fato de aparentar a solução para muitos dos problemas, no que muitas vezes ela é um fator excelente para o refúgio daquele que estiver dominado pelo medo e pela insegurança, exercendo uma grande influência em sua ultrapassagem de crer e inventar como veremos no segundo capítulo. Não quero aqui desconsiderar nenhuma das religiões, pois meu objetivo aqui é perceber até que ponto o pensamento humeano pode ser levado em conta por uma contemporaneidade que nos obriga a retomá-lo, e também analisar tamanho desprezo que a nossa realidade social se apresenta diante da importância da proposta cética humeana. Até que ponto caminharia a humanidade que busca construir seu sistema voltado para o horizonte da imanência, onde a própria associação das ideias é percebida somente na experiência?”

Hume não estaria com toda a certeza sendo radical, e talvez o pensamento metafísico não é algo que não necessita de existir, mas é certo que ele é um processo fútil para uma vivência sem alicerces concretos e reais, seria assim uma realidade medíocre e conformista, onde sempre se deve deixar tudo da mesma forma como está, já que não existe a capacidade de distinguir poderes nesse mundo racional puro, ou na substância. Para Deleuze[10] a

“... filosofia da experiência não é somente a crítica de uma filosofia da substância, mas é também a crítica de uma filosofia da natureza. Assim, a idéia não é a representação de um objeto, mas de uma impressão; quanto à própria impressão, ela não é representativa, não é introduzida, é inata. Sem dúvida há uma Natureza, há operações reais, os corpos têm poderes. Contudo devemos limitar “nossas especulações às aparências sensíveis dos objetos, sem entrar na busca de sua natureza e suas operações reais”. E é preciso ver nesse ceticismo menos uma renúncia do que exigência, exigência idêntica à precedente.”

Quanto à memória e a imaginação no processo de associação das ideais, tomamos por memória aquela ideia que repete a impressão e se encontra sempre intermediária entre uma impressão e uma ideia, portanto a memória está dentro do contexto das ideais simples e indivisíveis. No caso da imaginação, é aquela ideia que tem a capacidade de dar forma a ideia da maneira que lhe cabe, pois a imaginação permeia as ideais de maneira oscilante, estando mais próxima das ideais em sua fraqueza e complexidade. Assim a memória possui mais força e vivacidade que a imaginação.


Quando se retorna a concepção teórica em Kant, se nota, segundo Smith[11] que esta

“... é suscitada através da mediação do saber, pois aqui a filosofia não é tida como um instrumento do saber como faziam os medievais. Sua natureza cosmológica derivada da teleologia da razão humana garante ao homem uma visão universal da realidade natural e histórica do homem. Assim, a objetividade do conhecimento filosófico em Kant está em uma filosofia transcendental dotada de uma objetividade universal necessária, na medida em que se origina de um princípio que atingimos por uma intuição lógica ou imediata ou sábia (sapiencial), mas tomamos esse modelo intuitivo para uma objetividade de conhecimento fundamentado em uma racionalidade pura que nega a psicologia subjetiva e a conduta moral. Mas primeiramente poderíamos nos ater à crítica humeana que se situa numa seria impossibilidade de termos convicção de um pensamento formal e categórico kantiano, na medida em que não conseguimos realizar comparações e nem distinguir poderes, o que nos resulta em uma convicção oscilante por não nos oferecer segurança alguma.”

Pode se pensar também, até a que ponto esse conhecimento racional puro tem alguma relação com a nossa imaginação? Ou qual a relação dessas afirmações categóricas com as nossas imagens distorcidas da mente, visto que talvez seriam até ideias fracas e complexas da mente na imaginação? A partir da afirmação de Hume em que não é necessário estudarmos a causa das coisas, mas sim os seus efeitos no processo de causalidade que é o maior em extensão, em que aspecto a formalidade categórica kantiana nos causa efeitos no campo imanente da experiência?

É de extrema importância uma reflexão em torno desses fatores, dado que o sujeito num campo multirrelacional de associação, não possui nenhuma experimentação desse conhecimento racional categórico que não nos afeta na experiência de modo algum, visto que o sujeito não pode conhecer aquilo que ele não percebe, o que os obriga a aceitar então a existência e a capacidade do espaço da imaginação na mente humana. Clarificando essa ideia nas palavras Hume[12]

“... a mesma evidência nos acompanha em nosso segundo princípio, a liberdade que tem a imaginação de transpor e transformar suas ideias. As fábulas que encontramos nos poemas e romances eliminam qualquer dúvida sobre isso. A natureza é ali inteiramente embaralhada, e não se fala senão de cavalos alados, dragões de fogo e gigantes monstruosos. Tal liberdade da fantasia não causará estranheza, porém, se considerarmos que todas as nossas ideias são copiadas de nossas impressões que sejam completamente inseparáveis – isso para não mencionarmos o fato de que se trata aqui de uma consequência evidente da divisão das ideias em simples e complexas. Sempre que a imaginação percebe uma diferença entre ideias, ela pode facilmente produzir uma separação.”

Seria interessante pensar até que ponto essa distinção entre a memória e a imaginação está presente na vida da humanidade? Os sistemas, comportamentos e crenças, diante dessa distinção, será que esse pensamento realmente não estaria ajudando a melhorar a busca pelo sentido e a sensatez das coisas? Hume apresenta a oportunidade de conhecer e ter a certeza de compreender o que está ligado diretamente ao papel da memória e da imaginação no sujeito que está constituído como um “feixe de percepções”, e que conhece e experimenta na própria experiência e somente nela.


Muitas vezes essa proposta do ceticismo auxilia para se perceber o quanto muitas religiões e vários sistemas estão submetidos à exploração e ao interesse, ou também seria o momento ideal para que muitos percebam realmente que a experiência garante a possibilidade de entender muitos fatores e crenças que estão aí por mera invenção, causados por um fator simplesmente político e cultural conveniente aos interesses dos mais fortes, centrado no exercício influenciado pelo poder.


A ideia de imaginação durante as investigações de Hume surgiu quando ele percebeu que ela é responsável por fazer uma separação das ideias durante a percepção da diferença entre elas, mas não podemos inventariar coisas acerca do espaço da fantasia na mente, visto que essas ideais complexas distorcidas surgem sempre como cópias fracas das impressões. Em análise, Reale[13] sintetiza que

“... é como se a imaginação tivesse livre acesso para passar por todos as ideias dentro desse processo associacionista, com uma qualidade natural que permeia a relação de uma ideia para com a outra, é força suave que está na correspondência da natureza das ideias que reúne as ideias simples mais apropriadas para se unirem às ideias complexas. Dessa forma, essas qualidades que são responsáveis por estabelecer a comunicação ou relação entre as ideais, são classificadas por Hume em três classes: Causalidade (causa e efeito), Contiguidade (espaço e tempo) e Semelhança. Essas três classes que estruturam as qualidades associativas na introdução das ideais são responsáveis pela associação que dá origem a fantasia, visto que a imaginação percorre a ideia que for semelhante a ela, como também percorre o espaço e o tempo durante a relação contígua da busca regular dos sentidos, e por fim, a imaginação permeia a relação de conexão mais forte que é a causalidade entre os objetos.”

Mas é fundamental salientar que, para Hume, a existência de um terceiro objeto presente nas relações para que elas se relacionem, assim, esse objeto deve estar em ambas as ideias durante a interação das mesmas, mesmo que aconteça um enfraquecimento nas relações. A causalidade é o processo de maior extensão, pois para Hume dos objetos que estão inseridos nesse processo, um como causa de qualquer ação ou movimento do outro, e o segundo objeto ocorre quando o primeiro é a causa da existência do segundo com a capacidade de produção do segundo, assim o objeto permanece o mesmo durante as diferentes interações. Hume deixa todos cientes de que se pode com facilidade imaginar como essa influência entre esses dois objetos pode conectá-los na imaginação.


Note-se que aqui o surgimento de extraordinárias variações e efeitos no âmbito mental que podem ser comparadas facilmente com o mundo natural, pois da mesma forma que se fala da conexão dos dois objetos que estão ligados com a imaginação, pode-se perceber também o Homem no seu papel na sociedade, principalmente através da sua subordinação diante do governo.


Também não se pode deixar de enfocar nessa contemporaneidade, o exercício do poder que o Homem exerce através das religiões utilizando uma força superior, para que haja a produção de suas vontades e de seus interesses, a atenção que se salienta aqui, é que muitas vezes a aspecto religioso pode não passar de um exercício sob a influência do poder sobre a sociedade, onde a crença e a invenção são mera ilusão que não faz parte da percepção do sujeito, pois os princípios de união e coesão entre as ideais simples, ocupam lugar da conexão inseparável na imaginação, assim, tanto o mundo natural quanto o mundo mental, assumem várias formas variadas com suas causas desconhecidas, mas devendo ser reduzidas a qualidades originais da natureza humana, nas quais Hume não tem a pretensão de explicar.


O fator complexo e subjetivo na percepção de Deleuze[14] se da

“... no âmbito das relações para forma uma intersecção que se estabelece entre pensamento e sentimento num contexto multirrelacional. Visto que essas duas forças são dois fatores potenciais subjetivos, ou duas faces distintas que, em um corpo análogo se relacionam de maneira mútua pelo fato de não se esgotarem, se estabelece assim, um fator enigmático subjetivo no campo do conhecimento em Hume, que se dá na percepção como objeto de conhecimento e em sua estrutura como um conjunto de dados que se associam entre impressões e ideias. É uma comunicação que se estabelece entre dois horizontes distintos e que, pelo fato de não se esgotarem, formam relações dando origem ao problema da subjetividade.”

Em miúdos, no mundo das relações, as ideias comuns do pensamento e raciocínio humano são as ideais complexas, que podem ser divididas em relações, modos e substâncias, com afirma o livro sobre o tratado da natureza humana, que não é uma regra universalmente verdadeira que as impressões e as ideias complexas sejam cópias exatas umas das outras.


As relações segundo Reale[15] entre os dados “são as qualidades entre as ideias que se conectam na imaginação, ou designa o fato de que essa união entre duas ideias na fantasia (imaginação) seja simplesmente arbitrária.”


Numa interpretação sobre a relação pode se dizer que ela tem dois aspectos importantes, o primeiro é o seu papel de designar as qualidades durante a relação entre duas ideias na imaginação[16], de modo que uma ideia introduz a outra, e o segundo aspecto consiste na separação entre essas duas ideias que estão de modo arbitrário na imaginação.

A redução que acontece nas qualidades entre as relações de ideias comparadas, é afirmada por Hume[17] como fonte de toda a relação filosófica. (semelhança, identidade, espaço e tempo, quantidade ou número, qualidade, contrariedade e causa ou efeito).

“... a semelhança das qualidades admite uma certa comparação dos objetos entre si que apresentam algum grau dessa semelhança, mas visto que nem sempre a semelhança produz uma relação necessária, uma conexão ou relação entre as ideias, impedindo que a imaginação se fixe em um objeto único por ser comum diante de uma variedade de alternativas, impedindo que a imaginação não se fixe em um objeto único. A identidade permanece nos objetos constantes e imutáveis com um certo tempo de duração, sendo a mais universal das relações. As relações de espaço e tempo estão constituídas em número infinito de variedades de comparações (distante, contíguo, acima, abaixo, antes, depois, etc.). E a partir do instante em que os objetos admitem quantidade, eles podem ser comparados nesse mesmo aspecto. Quando dois objetos possuem uma mesma qualidade, como por exemplo, um objeto com duas cores da mesma tonalidade ou do mesmo peso, o grau dessa qualidade será diferente mesmo que seja a mesma cor ou peso, admitindo passividade de compara cão entre um e outro. A relação de contrariedade num primeiro momento pode ser considerada num aspecto em que nenhuma relação de nenhuma espécie pode ter contrariedade sem algum grau de semelhança, mas percebemos também que nenhuma ideia em si é contrária a outra, a não ser a ideia de existência e de não existência, embora essas duas ideias sejam semelhantes por implicarem a ideia do objeto, mas esse mesmo objeto será excluído em seu espaço e tempo pela ideia de não existência, assim atingimos a conclusão de que esse objeto não existe. A causa e efeito é a sétima espécie de relação filosófica, e a sua experiência nos outros objetos revela o aspecto de contrariedade, sendo também uma relação natural.”

Até agora foi apresentado como acontece esse fator das relações contidas no horizonte multirrelacional do sujeito, e não se pode esquecer que é uma experiência entre a relação de ideias que são diferentes e separáveis num fator empírico e subjetivo que revela a existência de uma percepção que não necessita de prescindir absolutamente nada. Em linhas específicas Deleuze[18] que

“... a experiência é a sucessão, o movimento das ideias são separáveis na medida em que são diferentes, e diferentes à medida que são separáveis. É preciso partir dessa experiência, porque ela é a experiência. Ela não supõe coisa alguma, nada a precede. Ela não implica sujeito algum da qual seria a afecção, substância alguma da qual ela seria a modificação, o modo.”

Hume deixa estabelecido de maneira bastante clara, a capacidade da imaginação de separar toda ideia que seja discernível, assim, qualquer ideia que seja separada pela imaginação pode ser concebida como algo que exista à parte.


Se pode perguntar se essas relações estabelecidas pelas inúmeras ideias que se associam na experiência são como informações que aparecem na mente humana. Como também se pode fazer como os primeiros cognitivistas que acreditavam que os processos internos mentais poderiam ser encontrados durante o processamento do computador digital, onde as fronteiras do pensamento seriam estudadas através de um dispositivo computacional, seria a mente estudada como uma máquina dentro de processos computacionais. Dessa forma, as variedades e as infinitas ideias que são processadas na mente seriam as mesmas ideias variantes e complexas processadas em um computador.


Em uma visão mais apurada, Santanella[19] destaca que

“... para as ciências cognitivas também é importante, sob certos aspectos, a consideração puramente formal das regras de processamento de informação de um sistema. Entretanto esse método formal divorcia os dados dos seus significados. A maior diferença entre as ciências da informação, em sentido estrito, e as ciências cognitivas, nesse aspecto, está no fato de que estas devem ter alguma teoria do significado. Afinal de contas, os processos de informação devem ser significativos para serem usados. As ciências cognitivas tratam os dados de um sistema de processamento de informação como símbolos e seus significados são tratados como representações.”

As ciências cognitivas estudam a intencionalidade no processo informações, assim, o sistema opera através de representações analógicas ou digitais, mas de qualquer modo todo o sistema é sempre intencional, na medida em que essa intencionalidade representa o poder referencial do sistema, e na medida que essas informações são formada de maneira representativa, todos os seus modos de processamento são intencionais.


O sujeito produz e utiliza símbolos em toda a sua existência, pois estão relacionados em um mundo de modo físico, e assim, ocorre a redução materialista da inteligência artificial como uma máquina cujo comportamento consiste na manipulação de símbolos físicos.


Já não haveria aí a necessidade de estabelecer distinção entre substância e acidente na medida em que se considera a proposta humeana de que essas ideias não são derivadas de nenhuma impressão sensitiva ou de reflexão que esse reduzem às nossas paixões e emoções. Hume[20] afirma que

“... assim sendo, não tenho nenhuma ideia de substância que seja distinta da ideia de uma coleção de qualidades particulares, e tampouco temos em mente qualquer outro significado quando falamos ou quando raciocinamos a seu respeito.”

Desse modo, se toma como ideia de substância uma simples coleção de ideias simples que estão na imaginação, que qualidades particulares que se referem a algo desconhecido e que é inerente a elas, ou que são qualidades particulares são conectadas por causalidade e contiguidade, onde, sempre se descobrirá uma nova qualidade simples que esteja na mesma conexão com todo o resto, assim, essa nova qualidade é incluída com as outras ideias mesmo que ela não tenha feito parte dessa concepção de substância em questão.


Tem-se aí, uma grande questão levantada por Hume, que é sobre as ideias abstratas como concebidas pela mente como particulares ou como gerais. Foi uma grande descoberta destacada no pensamento humeano sobre a afirmação de que as ideias gerais são ideias particulares que vinculadas em um certo termo que lhe garante um significado mais extenso, e que, quando ocorre uma exigência do mesmo em uma determinada ocasião, acontece assim, a evocação de outros indivíduos semelhantes a elas.


Se pensarmos que o sujeito adquire a capacidade de realizar abstração de qualquer particularidade de quantidade e de qualidade, estamos afirmando sobre uma tal capacidade mental que, apesar de não ser infinita consegue obter de uma só vez a noção de todos os graus possíveis de qualidade e de quantidade[21], pois mesmo de maneira imperfeita, se consegue corresponder aos graus que giram em torno da reflexão e do diálogo.


Para complementar essa ideia, Hume[22] afirma que

“... em segundo lugar, reconhece-se que nenhum objeto pode aparecer aos sentidos, ou em outras palavras, que nenhuma impressão pode se tornar presente à mente, sem ser determinada em seus graus tanto de quantidade como de qualidade. A confusão que por vezes envolve as impressões procede somente de sua fraqueza e instabilidade, e não de uma capacidade que teria a mente de receber uma impressão que, em sua existência real, não possua um grau ou proporção particulares. Isso seria uma contradição em termos, e implicaria mesmo a mais absoluta das contradições, a saber, que é possível que uma mesma coisa seja e não seja.”

E mesmo que uma seja uma cópia ou uma fraca representação de uma impressão, essas ideias devem conter uma qualidade e uma quantidade que se apresente de maneira determinada e clara. Hume na visão de Reale[23] destaca também outro aspecto que ajuda a compreender a abstração, onde, “da mesma maneira que se torna absurdo conceber um triângulo real que não tenha os três lados iguais, o mesmo deve se aplicar do ao domínio absurdo das ideias que não sejam determinadas e limitadas pela qualidade e quantidade desprovidas de um grau preciso.”


Embora o sujeito se relaciona em sua capacidade de abstração em que reúne todas as qualidades e quantidades possíveis e de maneira imperfeita, em Hume, o sujeito tem essa capacidade de corresponder diante de algumas necessidades e propósitos da vida, mesmo que o dado não apela para outro lugar a não ser para si mesmo, como um princípio de individualidade seja do dado, do espírito e das percepções.


Portanto, analisar um campo de pensamento e sentimento que estão em multirrelações, onde o espírito é afetado de maneira brusca, e as percepções fazem com que o sujeito se desenvolva em sua busca íntima na relação de seus sentidos com o cérebro, percepções que se associam em busca de realizar uma determinada tarefa, permitindo que o sujeito se ultrapasse. Como uma resposta para todos aqueles filósofos e estudiosos que tomam o pensamento humeano como radical, se é obrigados a aceitar a digestão da proposta cética de Hume, em que os sentidos não resultam apenas nas sensações, mas as tratam como mecanismos importantes para a busca de informações, na formação da subjetividade, onde a percepção garante a capacidade de adaptação do sujeito como em “feixe de percepções”.


CONCLUSÃO


A ação cognitiva do Homem está fundamentada na experiência, e as relações subjetivas nos oferecem sensatez e novas descobertas. O ceticismo humeano não está preocupado em descobrir de onde surgem as causas, mas está submetido essencialmente à percepção dos efeitos que estão determinados.


O campo ético é justificado por ações que não se repetem, mas retomam um novo sentido de um sujeito ilimitado que pode a qualquer momento, possuir novas expectativas de vida. A limitação e a dúvida das hipóteses baseadas na razão não superam a realidade empírica e ilimitada de Hume. Portanto, a consistência da psicologia associacionista nos firma como sujeitos que se admitem num processo causal em que o presente está ligado diretamente ao passado, na expectativa de um futuro. A certeza de que somos um feixe de percepções está na justificação empírica complementada pela crença.


A significação de uma verdadeira Natureza do Homem se dá na comprovação empírica de que ela pode ser submetida à uma invariabilidade infinita de fatores, estando incansavelmente comprometida com o estado das relações subjetivas. O sujeito em suas dimensões subjetivas é aquele que descobre essencialmente que pode se ultrapassar somente diante daquilo que o afetado, pois sua reflexão está justificada pelos efeitos que o constitui.

 

COMO CITAR ESSE ARTIGO


SANTANA, Eduardo Rodrigues. O Empirismo De David Hume E A Abordagem Que Realiza A Respeito Da Subjetividade Humana. In:. Revista Me Conta Essa História, a.I, n.03, mar. 2020. ISSN 2675-3340. Disponível em: <https://www.mecontaessahistoria.com.br/post/o-empirismo-de-david-hume-e-a-abordagem-que-realiza-a-respeito-da-subjetividade-humana> Acesso em:

 

REFERÊNCIAS


ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia: São Paulo: Martins Fontes, 2003.


BOTELHO, Osmair Severino; VECCHIA, Ricardo Bazilio Dalla. História da filosofia moderna II: caderno de referência de conteúdo. Batatais, SP: Claretiano - Centro Universitário, 2010.


DELEUZE, Gilles. Empirismo e subjetividade: ensaios sobre a natureza humana segundo Hume. São Paulo: editora34, 2001. Coleção Trans.


HUME, David. Tratado na natureza humana: uma tentativa de introduzir o método experimental de raciocínio nos assuntos morais; tradução de Déborah Danowski. – São Paulo: Unesp, 2001.


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[1] REALE, Giovanni. História da filosofia: de Espinoza a Kant, v. 4 / Giovanni Reale, Dario Antiseri. São Paulo: Paulus, 2005. p. 131. [2] SMITH, Plínio Junqueira. O ceticismo de Hume. São Paulo: Loyola, 1995. [3] REALE, op. cit, p.132 [4] BOTELHO, Osmair Severino; VECCHIA, Ricardo Bazilio Dalla. História da filosofia moderna II: caderno de referência de conteúdo. Batatais, SP: Claretiano - Centro Universitário, 2010. p. 151. [5] DELEUZE, Gilles. Empirismo e subjetividade: ensaios sobre a natureza humana segundo Hume. São Paulo: editora34, 2001. Coleção Trans. p.17. [6] REALE, op. cit, p.135 [7] REALE, op. cit, p.136 [8] DELEUZE, op. cit, p. 23 [9] SMITH, op. cit, p.152 [10] DELEUZE, op. cit, p. 97 [11] SMITH, op. cit, p.155 [12] HUME, David. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Universidade Estadual Paulista, 2004. p. 34. [13] REALE, op. cit, p.138 [14] DELEUZE, op. cit, p. 99 [15] REALE, op. cit, p.141 [16] Deleuze é muito claro quando afirma que somente na filosofia a significação da palavra relação é utilizada na medida em que analisamos a comparação dos objetos para obtermos alguma idéia. [17] HUME, op. cit, p. 45 [18] DELEUZE, op. cit, p. 96 [19] SANTAELLA, Lúcia . Matrizes da linguagem e pensamento: sonora, visual, verbal. São Paulo: Iluminuras, 2001. p. 59 [20] HUME, op. cit, p. 41 [21] Para Hume é possível esse acontecimento, pois nossa capacidade de abstração conseguiria representar uma atividade particular de quantidade ou de qualidade sem dar forma a uma noção de todos os graus possíveis, na medida em que todos os objetos que são diferentes, também são tomados como distinguíveis (e vice-versa), e na medida em que esses objetos são distinguíveis, os mesmos sofrem separações pelo pensamento e pela imaginação. [22] HUME, op. cit, p. 43 [23] REALE, op. cit, p. 140

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